A frase definitiva sobre a pizza foi imortalizada por um Baldwin em Threesome : “Sexo é que nem pizza; mesmo quando é ruim, é bom“. Se a comida indie, digo, comédia indie – no Brasil, ‘Três Formas de Amar’ – virou cool pelas bandas do hemisfério norte, a pizza continua sendo um blockbuster em quaisquer lugares que exista.
Para quebrar esse iníciozinho cretino e clichê, uma digressão nonsense ainda que ligada ao parágrafo anterior, ou seja, pertinente.
Lugares onde não existe pizza
- Na Transilvânia.
- Em Nova Jérsei, existe um bairro onde o comércio de pizzas é proibido desde 1947, quando Toni “O Pizzaiolo” Gaetano foi morto pela máfia mexicana – sob a acusação de servir determinado sabor contendo carne fresca de cucarachas . A alegação de que era apenas dono de um boteco sem a mínima higiene não foi suficiente para salvar sua pele.
- Nas Ilhas Maurício, provavelmente.
- Na Groenlândia, só existe pizza pré-pronta congelada importada, a um custo estratosférico, porque não tem massa que fermente naquele gelo do cacete.
- No bar do campus da FONF, em Nova Friburgo/RJ.
- Em Babu das Águas, noroeste do Amazonas, a pizza ainda não chegou. Relatos de viajantes dão conta de que o canoaboy teria pegado um braço de rio errado, e usado a pizza como moeda de troca – para sobreviver a um ataque de índios piratas ribeirinhos especialmente afeiçoados à marca de manjericão que a pizzaria usava. Outra versão dá conta de que o entregador teria sido engolido, com moto e tudo, por uma sucuri-boi, ou o que o valha. Os residentes de Babu continuam ligando para refazer o pedido, mas o restaurante agora só serve pizza amish , e no local. Além de não ter mais telefone.
Origens da Pizza
A pizza foi inventada na Itália, junto com o macarrão, a lasanha, o sorvete italiano e todas essas coisas gostosas que a nonna cozinhava. Porque não me interessa que tipo de receita primitiva surgiu sabe-se lá em que rincão antigo bagarai, se foram os taliani que a serviram apetitosa para o mundo. E esse é um argumento que nenhuma pessoa em equilíbrio emocional ousa discordar.
Da Itália, a pizza veio para o Brasil pelas mãos do Silvio Lancelotti.
Pizza 101: Receita básica para uma pizza típica
Ingredientes:
• 1 pizza congelada
• Ketchup, mostarda e/ou maionese
Tempo de preparo: 15 minutos
Nível: Estúpido/DDA+
Retire, com cuidado , a pizza da caixa de papelão e/ou filme plástico que a encobre, mantendo a parte do sabor para cima. (Se você não souber ou não puder identificar, experimente manter a massa para baixo.) Leve-a nessa posição ao forno – aceso – e asse até que a cobertura congelada pareça mole. Sirva à parte os molhos adicionais, em quantidade conforme for necessário mascarar o gosto da pizza. Coma com as mãos. Acompanhe com cerveja, e se possível um jogo de futebol na tevê.
Breve Classificação de Sabores
Ótimo: Calabresa, Pepperoni, Lombo, Quatro Queijos, Alho
Bom: Frango, Coração, Milho e Bacon, Mussarela, Estrogonofe, Marguerita, Mafiosa
Terrível: Ovo, Banana com Gemada, Faisão com Água de Melissa, Arroz-Doce, Costela com Couve
Não-pizzas*: Brócolis, Jardineira, Vegetais com Peito de Peru
*ver §1 em “Para entender a Borda de Catupiry”, mais adiante neste Guia
Como assar uma pizza adequadamente
1. Diretrizes Básicas. Uma pizza padrão é assada num forno convencional. (Forno à lenha é restaurante pra levar a namorada.) O importante para assar sua pizza é não ler as instruções da embalagem, caso existam – a não ser que você seja um solteiro com TOC e tenha uma minuteira de cozinha. Acenda o forno na chama o mais alta possível e jogue o disco lá dentro, fechando rápido a porta do forno e olhando pela janelinha pra ver se ela chegou bem. Pra não engordurar a grelha e fazer queijo, oxalá, derreter – mas por todo o forno, você pode usar uma assadeira de alumínio. Em qualquer bolicho tem umas vagabundas que custam $1,99 e duram a vida toda, se você usar um pequeno truque: papel alumínio , essa maravilha da tecnologia aeroespacial, provavelmente. Você forra a fôrma com metade de um rolo, assa a pizza e depois joga fora o papel sujo! Simples e intuitivo. E também dá pra usar como pegador pra não sujar a mão. Assim você nunca vai precisar lavar a assadeira, que é o exato momento em que ela começa a enferrujar como um Fusca hippie em Saquarema e inevitavelmente se tornará inutilizável em 48 horas. E convenhamos, papel alumínio não é tanta frescura que vá lhe fazer parecer um maldito metrossexual. Metrossexuais têm eunucos para preparar sua soja e o seu grão-bico-de-soja e suco-de-soja-sabor-pêssego-transgênico.
Aguarde 15 minutos, contando que o seu forno ainda tenha um mínimo de vigor e decência. Se você for ansioso, pode converter esse tempo em cervejas, cigarros ou batidinhas no aquário. Está pronta!
Se você não for capaz de compreender estas instruções ou estiver operando máquinas, ou a qualquer momento, para assar uma pizza ainda mais adequadamente, chame a telepizza.
Uma frase sobre a pizza de bacon
2. Estudo de caso: Problemas potenciais freqüentes para assar pizzas; Anotações de sobrevivência em ambientes hostis ou não-conformes
P: Quero assar uma pizza mas não tenho um forno.
R: As soluções podem ser várias, dependendo do ferramental à disposição. a) Experimente usar a pizza, já cortada, na torradeira. b) Acenda uma fogueira na sua sala e asse as fatias num graveto. c) Use seis isqueiros dispostos em cruz, grudados com cola bonder numa mesa, e segure a fatia com uma espátula de metal. d) Coloque fogo no seu cesto de roupa suja e jogue o troço lá dentro. e) Peça para usar o forno da vizinha gostosa. Leve um vinho. f) Chame a telepizza. Consulte a gerência sobre como obter um desconto colocando a pizza congelada imprestável no negócio.
P: Quero assar minha última pizza. Mas estou sem água, gás ou luz, e a única coisa que tenho em casa nesse momento é um colchão, um isopor com gelo e cerveja, um casal de hamsters que representa todo o grande amor que eu perdi, um pote de mostarda de Dijon, uma lata de filme super-8 (com uma viagem à praia com Mamãe e Papai e Rex), um projetor, uma folha A4 com meu bilhete de suicida, um gerador de energia à diesel, um copo de papel, uma .38 carregada e um microondas superluxo 380l com dourador.
R: A pizza, como a vida, é um fluxo de caos ordenado em eventos. Prossiga com cautela. Corte a folha A4 em duas metades, no sentido da altura. Dobre uma das metades para formar um cadinho, como você aprendeu quando era escoteiro. Use o copo e colha quantidade suficiente de óleo diesel para encher 2/3 do cadinho. Coloque o filme super-8 pra rodar. De novo com o copo, encha a lata de filme com óleo diesel. Coloque a pizza dentro dela e feche bem. Coloque um hamster no cadinho e leve ao microondas. Dê a ignição no gerador de energia descarregando sua arma no condensador e acione o microondas em potência máxima. Frite os hamsters, um de cada vez, e sirva como aperitivo, com muita mostarda. Veja como mamãe está linda neste vestido! Abra uma cerveja (beba direto, sem usar o copo) e coloque a lata de filme com a pizza dentro no microondas. Ligue, afaste-se e deixe assar até explodir tudo. Desligue o gerador – pode usar um pontapé ou dois, ou até mais, extravase, é o seu gerador a diesel e ninguém tem nada a ver com isso. Aproxime-se com cuidado dos escombros e, voilà! A lata estará intacta! Sirva ainda fumegando, usando a outra metade do bilhete de suicida como guardanapo. Veja o filme sentado no colchão. Olhe, papai e você jogando bola. Pegue outra cerveja.
P: Quero assar uma pizza, mas estou perdido no meio de uma floresta. À minha esquerda, está um leão faminto; à direita, uma puma dando à luz; na frente há um pingüim sofrendo um ataque de asma; atrás, vem correndo o Piromaníaco Fantasma! O que eu faço?
R: Há muitas saídas para esse problema, e o ecossistema escolhido para o início da resolução diz muito sobre você. Se você, por exemplo, escolheu ir para o Ártico – o ‘Pingüim Pneumosomático’ -, você é frio, calculista e tem problemas de adaptação ao lugar onde vive. Sua cor é o cinza-gelo e o número, 56. Atraia o leão para o Ártico e ofereça-lhe a ave moribunda como um petisco que não está fugindo. Com o leão no happyhour, vá até o puma recém-nascido e pegue-o no colo, mostrando ao Piromaníaco Fantasma como ele é bonitiiinho! Ele estará fazendo cuchi-cuchi no momento em que a mamãe-puma dará o bote para atacar os invasores. Use sua esquiva de futsal – cuidado com o gatinho! – e mova o corpo, fazendo com que a assassina caia sobre o Piromaníaco. Solte logo o bichano e vá chamar o leão, que a essas alturas já terminou o pingüim e ainda tem espaço para uma boquinha. Seja ágil e agarre a pochete do Piromaníaco antes que o leão comece a dividir a refeição com os pumas. Junte gravetos secos e use os artefatos do arquiinimigo para produzir chama. Asse a pizza na sua grelha de bolso.
Uma pequena ressalva acerca de embalagens
Uma caixa de pizza é, antes de tudo, pop-art. O que se vê não é a pizza real , mas sua representação a partir de um viés multiplicarista e multicolorido, bicho. Ou seja: caixa de pizza é arte, e não informação. A liberdade artística criativa fala mais alto que o jornalismo alimentar; é o ápice do meramente ilustrativo. Por isso, não espere encontrar dentro da caixa algo parecido. Isso segue uma lógica básica do mercado de congelados: a parte de dentro é o que você come ; a parte de fora, o que eles vendem .
Para entender a Borda de Catupiry: Um breve ensaio
A pizza é largamente conhecida por lançar verdadeiras modas nutritivas. Todos lembram da ousadia do grande Zuccato, ao responder com sua polêmica “Três Queijos” à delicada “Bianchi” da casa Rossini, que levava mussarela de búfala e parmesão em lascas. (Zuccato teria sido posto em suspeita pelo efeito visual da combinação de roquefort e gorgonzola sobre queijo de cabra; depois de pronta, os queijos azuis se confundiam, dando a impressão de apenas dois queijos. Isso teria causado mal-estar em certo jantar do Burgomestre.) Mas seu esforço e coragem foram inúteis logo adiante. Em retaliação, Giorgio Pierini escandalizou a Europa lançando a sua pornográfica Quattro Formaggi. E com seu sabor tenso e complexo, definiu toda uma era – além de uma geração colateral de recheios genéricos, molhos com manteiga aromatizada em cubos e adaptações infames à rodo, sendo que até hoje resistem algumas versões apócrifas que misturam cinco, seis e até sete queijos.
O catupiry é outra dessas modas que a pizza lança. Catupiry é na verdade um queijo cremoso brasileiro, fabricado desde mil novecentos e pico e que passou a existir quando as pizzarias lançaram o sabor Frango com Catupiry. Daí para a Borda de Catupiry, foi um tapa. ( §1: Embora alguns teóricos, como A. F. Schulze, dêem como sabor introdutório do citado queijo a famigerada Brócolis com Catupiry, lembramos que esse é um dos sabores que foram eliminados no capítulo H do Concílio Vaticano II – Versão com Extras e Cenas Deletadas, e portanto é desqualificado automaticamente.)
E daí para a pizza qualquer-sabor-com-catupiry-genérico foi outro tapa, este na cara do espectador, que vê sua amada pizza coberta por uma grossa camada de creme sabor queijo aguado e aprisionada por uma trincheira grossa de massa e queijo genérico maledetto que diminui em 20% a área da cobertura, ah, as lágrimas me rolam sobre a face! Pronto, passou. Pizzas com aquela borda insana são consideradas de péssimo tom, cafonas, feias e bobas, e devem ser evitadas. Especialmente na versão “borda de cinco queijos”.
Você sabia anexo pertinente: Você sabia que uma das grandes idiotices de todos os tempos alimentares foi a borda de hot-dog da Pizza Hut? Hein? O que eles querem mais? Botar uma feijoada lá dentro? Borda de mocotó? Hein? Hein?
O Solteiro-Padrão empreendedor: Cozinhando sua própria pizza e fazendo amigos
Não é porque você é um preguiçoso podre que não pode ter um dia entediado, pra então deixar os pensamentos vagarem e ter a estúpida idéia de mostrar praquela pretê que você não é apenas esse abobado que transparece; você também é sensível . Porque as mulheres fazem algum tipo de relação ancestral entre comida e sensibilidade, e aí partir daí distribuem novos conceitos. Se você cozinha, você é legal ; se você cozinha e estraga tudo porque é estabanado, você é bonitinho . Se não cozinha nem um ovo, é um troglô tosco . Se não cozinha mas é rico, é um um troglô tosco incrível, vem delícia! (Mas se você fosse rico, mandaria servir pizza num iate. Com champanhe.)
Desse jeito tudo vai mal, e talvez a única maneira de levá-la para a cama seja preparar algo que a faça desmaiar, como calabresa, cebola e pimenta malagueta viva, ou alho com anchova e chantilly. Ou um porre de Steinheger. Mas mantenha-se calmo e focado. Essa menina vale a pena. Você vai cozinhar pra ela, colocar um Coltrane na vitrola, servir um argentinozinho tinto canalha e, na linguagem interdita dos relacionamentos, mostrar que você é um merda, mas se esforça por ela, e pode até mudar – desde que vocês façam sexo esta noite. Talvez seja ela quem vai botar ordem na sua vida. Talvez ela lhe dê dica sobre livros e museus. Talvez ela cuide das suas roupas e passe pomada nas suas micoses. E se você for bom mesmo , talvez ela até lave aquela imundície toda que você está prestes a fazer na cozinha. Talvez ela vá embora no outro dia e você não tenha nenhuma vontade de falar com ela outra vez, e nessa hora é sempre bom ter um pedaço de pizza sobrando, pra comer frio com cerveja e as saudades de algo que foi bom mas era vento, ventania. Ou uma vodca, que horas são mesmo?
Em primeiro lugar, compre a massa pronta. Não, você não vai fazer a massa. Não, você não consegue. Para os homens, fazer uma massa de pizza requer uma revelação mística, e vem como um fato da natureza, como ser pai, ou comprar um Jaguar; não é para meros comuns. Então compre a droga da massa de pizza pré-pronta. E não há nada para se preocupar: pizza é um agregador social , não comida de chef. Pizza é rés-do-chão. Você prefere comer uma dondoca refinada cheia de bota-aqui não-bota-isso combinê combinê ou uma gordurenta, com a mão, se lambuzando e grudando? Certo, talvez não tenha sido uma boa metáfora. Enfim. Se você estiver realmente investindo na garota, pode encomendar a massa pronta de alguma pizzaria próxima da sua casa. Mas é melhor não contar isso pra ela. Nem pros seus amigos. Pode pegar mal.
Coloque a massa de pizza sobre a assadeira. Coloque, não jogue, lance ou arremesse. Discos de pizza são estranhamente atrativos como frisbees , eu sei, mas procure se concentrar. Não poupe nesse momento; forre com papel alumínio triplo. Abra cuidadosamente a lata de polpa de tomate – não aquelas bobagens temperadas, só tomate mesmo – não, você não vai fazer um molho denso que apura em quatro horas seis dúzias de tomates pelados em caldo de tutano aromatizado com louro, compre o maldito genérico pronto na lata que tá jóia – e espalhe-o sobre a massa de maneira homogênea. Isso significa que não é pra deixar um mar de molho no meio e umas ilhas secas no canto pra fazer um efeitinho. E nem coloque demais, senão vira sopa.
Na parte mais importante e divertida, montar a cobertura, é preciso respirar fundo e combinar corretamente os acepipes. Conter sua criatividade pode ser essencial; deixe a tevê ligada na novela, com o volume alto. (Prepare o uísque com energético pra logo mais. Duplo.) Eu sei que salame italiano com yakisoba de ontem parece uma ótima combinação, mas lembre-se: mulheres costumam ter paladar. Também na hora de comprar os ingredientes, não esqueça de que é uma pizza para uma garota , e não para você e a habitual matilha de amigos. Uma boa dica para não perder o foco entre as gôndolas é memorizar a ‘regra dos 60’: você descarta qualquer coisa que contenha mais de 60% de gordura, 60% de pimenta, 60% de glicose ou 60% de soja (por princípios). Pra não precisar fazer contas, pense nos coringas, como o atum (que tem a vantagem de vir pronto, é só descascar; e peixe faz bem pra cabeça. Use isso contra ela caso necessário), a calabresa (um clássico), e a mussarela – com um tomate em cima, pra contrabalançar. Compre bastante orégano; isso faz você ficar mais confiante e parecer sério. Cozinheiros sempre têm muito orégano. Disponha os ingredientes escolhidos sobre o molho, distruibuindo por igual. Se você estiver se arriscando a fazer mais de um sabor, cuidado com a linha divisória imaginária entre eles; relacionamentos já terminaram na antiga Ligúria por causa de lombinhos invadindo vôngoles, e até hoje servir uma pizza desequilibrada é considerado mau presságio. Espalhe orégano até cobrir tudo. Cubra outra vez.
O pulo do gato é deixar a pizza pré-pronta. Você assa doze minutos e desliga o forno. Mas isso é segredo . A garota chega, o cheirinho da pizza no ar, vocês bebem um pouco, jogam papo mole, mais trago, liga o Coltrane, baixa a luz, vinhozinho pegando, ela mexe no cabelo etc. E então, se necessário, bem mais tarde, vocês comem a pizza. Ela está pronta para ser servida corretamente: fria , amanhecida. Porque afinal você quer conquistá-la, mas não é um impostor. E nesse instante ela está realmente compartilhando algo com você, uma verdadeira intimidade: a legítima pizza pós-coito, comida a dois, encostado no balcão ou sentado na pia da cozinha, entre conversa e risadas e cerveja, e guarda a vodca, que a moça é de família. (A não ser que ela tenha tatuagem. Sirva duas.) Porque pizza é um agregador social. Ainda mais quando o social usa uma calcinha daquele tamanho.
Num outro final possível, você pode fracassar miseravelmente porque o combo “vinho + jazz” não faz efeito na moça, que está com fome, e acende a luz que essa penumbra me irrita! Com um humor desses, servir a sua pizza tosca seria brincar demais com a sorte. Diga-lhe que está só esperando assar, e em quinze minutinhos estará pronta. Ligue o forno a todo vapor e vá distraí-la – com um cd do Jota Quest ou algo brilhante, como um anel de rubi herdado do vovô ou um bagre – até que a pizza se transforme num pneu velho. Você vai passar para da categoria bonitinho para que estúpido ou até mesmo fracasso completo , mas tem a chance de se redimir chamando uma pizza da sua forno-a-lenha favorita. Ela vai miar que quer de Brócolis com Catupiry e vai sorrir pra você e arregalar os olhos como um gato de mangá; é preciso ser firme e astuto e trocar o sabor na hora de fazer o pedido. Ligue do quarto. Em 45 minutos chega. É tempo mais que o suficiente pra você tentar outras investidas sobre a moça, ou até mesmo – paciência – tentar engatar uma conversa. E também é tempo suficiente para que ela vá embora e lhe deixe sozinho com a pizza. Quando ela chegar, não tire da caixa; jogue dentro do que sobrou do forno, pra comer no outro dia, durante a ressaca.
Andre Barbosa
O desejo por novidade e por conhecer sempre mais sobre o comportamento humano é o que move esse publicitário carioca, que já mora em Porto Alegre há duas décadas.
Você também vai gostar de ler...
25 de março de 2022
How to Trust your Intuition when You’re Making a Decision
When you are alone for days or weeks at…
18 de março de 2021
Capture the Beauty of Nature through Photography
Talking to randos is the norm. I’ll…
3 de março de 2021
I Like Keep Things Simple to Appreciate the Details
After designing my ideal week, I had a…